Mostrar mensagens com a etiqueta Thomas Schmidt. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Thomas Schmidt. Mostrar todas as mensagens

14.11.05

IV Edição do Escritor Famoso. Lote 6

51. Wallis "Dress to Kill" ad campaign
Poema Lianor de Picolita do Na Corrente da Vida

52. Heidi Laros (showtime. three boys)
Meu reino de fantasia Ou talvez não, de A. Bandeira Cardoso,
do
De Profundis, Pena de Vida

53. Karsten Beumler
Extra-concurso, addiragram oferece Sonho

54. George Portz
Extra-concurso, Fausta Paixão oferece Poema de Prazer
e Céus Suspensos

Entrelaçados de Jorge Morais do
6 em 1 & Algo Mais

55. Isach Oslo


56. Ernst Kletzmair
Spectrum do Carlos da Alameda dos Oceanos

57. W. Ropp
Mãos que não esquecem de Ivo Jeremias do Olho Bem Aberto

58. Gonçalo de la Serna
Apenas uma foto, oferenda do Bis Morgen (extra concurso)

59. Thomas Schmidt
Hoje e Amanhã d' A minha Vizinha

60. Pedro Palma (pés de mãos dadas)
Poema de PeloUrso do À volta da fogueira

Os 3 haikais de Tmara do Estranhos Dias


[Lote lançado a 8 de Nov]

19.1.05

Dans ces bras-là


Thomas Schmidt

Um fragmento da escrita, feminina sensual sensível romanesca, de Camille Laurens.

O marido sente uma pequena dificuldade em tornar-se o marido - ele diz-lhe olhos nos olhos na Closerie des Lilas, uma noite muito tarde: ele não é livre. Ele vive muito perto dali com uma mulher mais velha que ele, a quem se mantém unido. Mas ele vai romper, ele quer casar-se com ela; ela, ele adora-a.
Eles conhecem-se há três dias. Ela responde-lhe que também ela não é livre: ele chama-se Amal, partiu para viver em Nova Iorque e ela devia ir lá ter com ele, mas agora já não vai, acabou.
Eles apresentam-se: ela faz dança, ela tenta escrever, ela gosta de Guillaume Apollinaire; ele foi nadador de competição, ele compõe poemas que não interessam a ninguém, ele gosta de Yeats, T.S. Eliot, Shakespeare, de teatro, ele detesta a actualidade e roda num XK 120 branco, um dia ele vai levá-la, ela vai compreender. Nessa noite, na Closerie des Lilas, eles vão maravilhar-se com as suas semelhanças. A noite, em casa dela, uma imensa tempestade rebenta no momento em que se beijam - noites eléctricas, peles magnéticas. Os deuses ficam com ciúmes.
Eles casam-se. Ele ensina inglês em Rouen, ela é bibliotecária em Vernon, eles moram em Paris. Eles encontram-se no combóio quase todos os dias - é a mesma linha -, esgotados, apaixonados, eles fazem amor, eles não param.
Uma sexta-feira, ele avisa-a que não vem dormir a casa, que tem de acompanhar uns colegas ingleses a Havre. "Tu vais fazer-me falta", disse ela - como quando perdemos um combóio.*


A suivre...


* (Traduzido do francês: Laurens, Camille, Dans ces bras-là, P.O.L. éditeur, 2000, pp 142-143. Na última frase o duplo sentido da palavra manquer não é traduzível, pelo que deixo o original: "Tu vas me manquer", dit-elle - comme on manque um train.)