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14.3.06

Capote


Gerald Clarke escreveu o livro e o ângulo por que optou é tão genial que grande parte do sucesso do filme se deverá certamente a ele. Gerald Clarke é um escritor que se especializou em biografias - antes escreveu sobre os últimos dias de Judy Garland e depois sobre a filha desta, Liza Minnelli. Mas a forma como nos deu a conhecer Truman Capote e o processo de pesquisa para o primeiro romance documental, A Sangue Frio, é um outro romance documental.
Depois, Dan Futterman (argumentista), Benett Miller (realizador) e Philip Seymour Hoffman fizeram o resto. Hoffman ganhou o Oscar e todos os outros prémios que havia para ganhar e o filme, imensas nomeações.
Só agora fui ver Capote. Depois do visionamento repetido de excertos do filme, já não fiquei espantada com o desempenho de Philip Seymour Hoffman. Este Capote egocêntrico e lúcido, cru e terno, é delicioso, e aquela voz afectada e frágil soa como uma extensão natural da sua personalidade.
O facto de Gerald Clarke ter sido (biógrafo e) amigo de Truman Capote foi certamente importante para o traçado do perfil do escritor. Nada é linear, as contradições que servem tão bem todos os seres humanos estão lá, as relações são retratadas com realismo. Jack Dunphy (interpretado por Bruce Greenwood), com quem Capote viveu até ao fim da sua vida, aparece discretamente com o peso, influência e inseguranças de um amor que durará 35 anos. A relação com um dos assassinos do caso que investiga, Perry Smith (Clifton Collins Jr), central nesta história, é perturbadora, pela origem da atracção e pelo cálculo, pela empatia e por todos os egoísmos.
Dizem que Capote nunca mais foi o mesmo depois desta experiência intensa e deste livro (o último que concluiu). Nós saímos da sala de cinema ilesos, mas com vontade de viajar por mais mundos, como Capote, se calhar para nos destruirmos um pouco por dentro. Ou não fosse a vida isso mesmo, caos e ordem, caos e ordem.

6.3.06

78 edição e costura

e foi assim, a coser baínhas e botões, que vi a cerimónia dos Oscars! e devo confessar-vos que me descobri mais atenta aos alinhavos que aos discursos. e que raio de cerimónia mais sem graça, previsivelmente um bocadinho mais irreverente, menos previsivelmente sem um momento de emoção (ninguém chorou) ou de surpresas (ok, no fim, não foi o Brokeback Mountain o vencedor, valha-nos isso!)

e foi assim, dedicando-me à costura, que é coisa que acontece raramente mas que me faz sentir muito boa dona-de-casa, que passaram as 3 horas e meia de espectáculo sem que eu adormecesse. entretanto, Dolly Parton? e que raio de rap era aquele que venceu a estatueta?

mas foi assim este ano, e os filmes eram todos muito polémicos, dizem. a homossexualidade é polémica! (ehehehe, em Hollywood?) a transsexualidade ainda mais! pena que o realizador palestiniano não ganhasse o Oscar (melhor filme estrangeiro). enfim, dizem que os judeus na América não gostaram da nomeação. valha-nos que Munique, o segundo filme (depois da Lista de Schindler) da trilogia de Spielberg (aí o Jon Stewart teve piada) tenha tido 5 nomeações mas não tenha ganho nada! mas o melhor argumento não foi para Syriana e isso não quero perdoar. e o George Clooney levou apenas um prémio de consolação. já o filme que realizou e produziu foi esquecido! era polémico? não sei. mas gostei que não se esquecessem de Crash. é verdade que o racismo é um bom tema para ganhar Oscars. mas o filme era mesmo bom.

ah, e o Philip Seymour Hoffman ganhou o Oscar para melhor actor! gostei. desde o Happiness que adoro este actor! mas o Capote, confesso, ainda não vi.

e foi assim que começou uma nova semana. boa semana, minha gente! sem muitas ondas (nem ventos fortes), de preferência. e com alguns bons filmes. se puder ser.

adenda: para saber todos os detalhes mediáticos, winners, discursos e vestidos, vão ao site oficial da Academia e não se esqueçam de o ouvir (tem uns tiques mas não é burro de todo!).