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29.6.12

Dulce Maria Cardoso

Foto MRF

Conheci Dulce Maria Cardoso em Setembro de 2010, por intermédio de Elsa Ligeiro (Editora Alma Azul) que, em Portugal, deve ter sido das primeiras pessoas a "galardoar" a escritora. Nesse dia, o encontro foi marcado na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Conversámos sobre Hélia Correia, que dela disse ser "Uma assombrosa criadora" (citação na badana de um livro) e de outros escritores, e de livros, e de cada um dos seus livros.... No final da tarde, DMC recebeu o Prémio Ciranda, numa cerimónia muito simples e simpática (tal qual as duas senhoras protagonistas, na foto).

Em 2009, já recebera o Prémio Europeu de Literatura pelo romance “Os Meus Sentimentos”. A imprensa portuguesa, contudo, só começou a dar-lhe algum destaque em 2011, quando publicou “O retorno”, sobre a experiência dos retornados e da descolonização de Angola. O romance foi então considerado pela crítica como o melhor do ano e venceu ainda o prémio especial da crítica nos Prémios LER/Booktailors 2011. 


Ontem, ficamos a saber que o Ministério da Cultura francês a distinguiu com a condecoração da Ordem das Artes e das Letras, uma das mais altas distinções honoríficas da República Francesa.

A maioria dos portugueses não deverá sequer reconhecer o seu nome. Triste fado! E depois, é claro, este não é um caso isolado...

21.6.12

Meninas à janela



Dalí pintou um óleo de que gosto muito, chama-se "Menina à Janela". Nele, Ana María Dalí, a irmã que foi o seu modelo preferido durante muitos anos, é pintada de costas, debruçada numa janela, olhando Cadaqués. Nesse quadro, pintado em 1925, o pintor introduz um novo paralelismo entre o ser humano e a arquitectura. Há um conceito quase onírico da realidade circundante. Mas o que mais retenho é a p...ostura da figura feminina e as várias tonalidades de azul. Muito jovem, viajei até Cadaqués. Trouxe de lá essa imagem, emoldurei-a, e deixei que me fizesse companhia durante anos.

Naquele dia (2005), o mar de Cadaqués reapareceu entre as minhas meninas. Era um fim de tarde no reino dos Algarves. A temperatura estava amena, corria uma ligeira brisa, cheirava a mar e a erva molhada, e elas foram conversar para a varanda. Descobria-as assim, entretidas a comentar a paisagem e as proezas do dia. Eu adorava "espiá-las" e registava as conversas. É por isso que sei que falaram de castelos de areia, de mergulhos com os olhos fechados e com os olhos abertos, de conseguir atirar a bola para muito longe, de biquinis cor de rosa como os da Barbie e de penteados como os da sereia Ariel, dos dois gelados que eram mesmo frios, do gato no jardim...

16.6.12

Incompreensão inteligente



Lembrei-me de mim, com 18, 20 anos. Muita curiosidade por tudo e, não sei se era armanço, mas havia avidez. Uma vez fui ver O Público, peça de Garcia Lorca, no Teatro da Cornucópia (encenação de Luís Miguel Cintra). Não estava a perceber patavina mas olhava à minha volta e todos pareciam seguros de uma particular compreensão. Eu começava a gostar de uma personagem e ela desaparecia. Fixava os movimentos dos actores. Lembro-me com nitidez do rosto do LMC iluminado de-baixo-para-cima. Daria uma bela fotografia. Mas qual o sentido daquela fala? Perguntei à minha amiga: "estás a perceber?" - Ela respondeu-me simplesmente: "não". Depois a peça acabou e fui ler as críticas da imprensa fixadas nas paredes do Teatro. O conceito do teatro egoísta de Lorca. O surrealismo a centrar o teatro em si mesmo. Queriam lá saber do público e da sua necessidadezinha de entender tudo! Fiquei mais tranquila. Fui tão bom público daquela peça. Quão eficaz o Lorca e o encenador na provocação de uma agitação interior!

Mas outras vezes, só a sensação do bom. e olha, vai ver. ou ouve, ou lê. Não te sei explicar, é bom.

o corpo

o corpo é um arquivo de texturas e de movimentos
portáteis.
viajamos com o corpo cheio. e às vezes é difícil fechá-lo.

MRF

25.5.12

Bom dia!

 Vestígios da passagem do moliceiro com mais de 20 miúdos
no aniversário da Sofia e da Ana. Abril 2010.
Foto MRF

17.5.12

Bósnia

 
Avistar a Stari Most (ponte velha), aproximando-nos a pé do centro de Mostar (viajamos num autocarro, carreira normal, a partir de Sarajevo). A Stari Most foi construída em 1566 e era considerada património da Humanidade. Foi completamente destruída no período de guerra (e em 2008 restaurada).

12.5.12

Bom dia, Santa Joana!

Hoje é dia da santa que não o é. É dia da beata. É dia da princesa. É dia da padroeira da cidade. Não consta que tenha apanhado moliço ou lido os ditos populares que enfeitam os barcos. Mas rezou e muito por estas bandas. Santa Joana Princesa, mais do que nunca, atende às preces das gentes da terra que te acolheu. O convento onde vivias, por exemplo, já só se adivinha. Mas não te zangues que foi tudo feito em nome do progresso e com fundos comunitários__que são públicos mas que tratamos como se fosse um gesto simpático de D. Afonso V, teu pai. A ti dedico estas imagens, quase históricas (para quando viver for recordar), porque o maior notável da urbe achou por bem construir uma ponte sobre o Canal Central. O povo não quer a ponte mas, já sabes, o progresso, os fundos de D. Afonso V,.... Já agora anuncio-te: de uma das janelas do convento poderás assistir à construção de outra ponte que unirá os dois parques da cidade. O povo também não quer essa ponte aérea, porque há passadeiras que servem muito bem o propósito, mas é o progresso, os fundos de D. Afonso V... Não poderias alertar o papá para o mau uso dos seus fundos?

Aveiro, Canal Central, Maio 2012
Foto MRF

9.5.12

5.5.12

Bom fim de semana, gente deste mundo em ruínas mas sempre criativo!
Lisboa, Maio 2012
Foto MRF

2.5.12

«Inventar um futuro»

O Palácio Galveias, que hoje em dia alberga uma das bibliotecas municipais de Lisboa, é um dos mais bonitos palácios nobres de Lisboa do século XVII e um dos melhores exemplos de casa nobre portuguesa seiscentista. Está localizado na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, diante da Praça de Touros do Campo Pequeno e ao lado da sede da Caixa Geral de Depósitos. Apesar de hoje, a sua localização ser central em Lisboa, quando foi construído, em meados do século XVII, destinou-se a casa de campo dos Marqueses de Távora, permanecendo na família até 1759, data em que confiscado pelo Estado no âmbito do célebre processo dos Távoras. Em 1801 foi adquirido por D. João de Almeida de Melo e Castro, 5.º Conde das Galveias, recebendo na altura obras de restauro. Uns anos mais tarde foi comprado por Braz Simão. Em 1928, entrou na posse da Câmara Municipal de Lisboa, entidade que aí veio a instalar a biblioteca municipal que ainda aí se encontra.

Por uma razão muito triste, o velório de Miguel Portas, acabei por passar por lá este fim de semana. Miguel Portas dizia que era necessário "inventar um futuro onde as pessoas possam crescer, não em função do que têm, mas do que podem ser". A conservação do património e da nossa identidade cultural e histórica é imprescindivel à afirmação dessa atitude. Aqui, alguns registos do espaço de jardim, recentemente arranjado e nobremente habitado.
Fotos MRF. 28 Abril 2012 

«Eu sou muitos»


[A exposição patente na Fundação Calouste Gulbenkian, "Fernando Pessoa - Plural como o universo", terminará afinal a 6 de Maio. Carlos Felipe Moisés é o curador brasileiro da exposição que assinala o Ano do Brasil em Portugal]

Talvez a culpa seja da expectativa.demasiado elevada. A verdade é que esta exposição é fraca em termos de conteúdo. não por ser inexacta ou esquecer heterónimos. mas porque nos dá pouco mais que títulos. Cada um dos quatro heterónimos principais de Pessoa é um título e uma sinopse. Essa é a primeira sala. Sim, as "cabines" com os poemas projectados distraem e podem fazer sentir. stop. É a primeira sala. «Os curadores quiseram mostrar que "Pessoa é um poeta para todos" e fazer uma exposição para todas as idades. A exposição é lúdica, interactiva e labiríntica: não tem um percurso marcado para que os visitantes se aventurem no seu espaço». stop. Na segunda sala temos o famoso quadro de José de Almada Negreiros, "Retrato de Fernando Pessoa"(1964). Momento de contemplação e escuta: a perspectiva, o cubismo, todas as partes num mesmo plano frontal em relação ao espectador, as mãos e o rosto iluminados na sombra, a folha ainda em branco que aguarda a escrita, a luz sobre Orpheu.

Óleo sobre tela. 225 x 226 cm. Coleção Centro de Arte Moderna.

"Lisboa", de Carlos Botelho, avista-se do lado oposto. stop. Terceira sala: painéis com elementos biográficos, apresentados de forma cronológica. stop. Quarta sala: amálgama de tesouros & coisas para distrair: «No canto dedicado ao modernismo e à criação da revista Orpheu estão expostas três obras de Eduardo Viana, Amadeo de Souza-Cardoso e Santa-Rita Pintor». Seis vitrines mostram documentos, manuscritos e cadernos: «Estão lá cartas que nunca foram mostradas em público, dois bilhetes-postais para Luís de Montalvor (um dos primeiros directores da revista Orpheu), o primeiro dos jornais fictícios de Pessoa, O Palrador, com notícias reais e fictícias, o caderno mais antigo de Pessoa (datado de 1901), onde ele registou as notas do liceu de Durban (era um estudante exímio). O caderno com a primeira mostra caligráfica de Fernando Pessoa e, um outro, onde nasceram os primeiros excertos do Barão de Teive». A famosa arca de madeira do poeta, que foi cedida para a exposição pelo anónimo que a arrecadou, em leilão, em 2008. Curtas metragens balofas (Limite, de Mário Peixoto, e Pessoas, de Carlos Nader). non stop.

Há tesouros. Há Pessoa. Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Mas, sinceramente, sem o fantástico guia que me calhou, teria saído dali com pouca mais-valia em relação ao meu mísero conhecimento do poeta.

16.3.12

Viajar cá dentro

Já foram a Golegã ou a Alpiarça visitar as casas onde um dos nossos maiores fotógrafos, Carlos Relvas (1838-1894), viveu?

Um dos seus filhos, José Relvas, virá a distinguir-se na contestação ao regime monárquico, proclamando a República da varanda da Câmara de Lisboa (e será ele que, após o segundo casamento do pai, ficará a residir na casa da Golegã, a "magnífica casa-estúdio que seu pai construira no jardim da sua residência do Outeiro").

Ainda na Golegã, já foram à Quinta dos Álamos, onde está patente uma exposição permanente de fotografia de Frederico Bonacho dos Anjos, "benemérito da sua terra, importante lavrador e ganadeiro, reputado fotógrafo e cavaleiro tauromáquico amador, amigo e discípulo de Carlos Relvas." (1877 – 1947)?

Pois eu não e, entre ontem e hoje, fiquei com uma imensa vontade de lá ir! :)

5.10.10

A República começou antes de o ser e a Monarquia ainda é uma pose.

António José de Almeida em São Tomé e Príncipe, 1896-1903

[Não percam a exposição que o Museu da Presidência da República promove com as fotografias oficiais e oficiosas de todos os nossos PR. Esta foto pertence ao espólio do MPR.]

10.7.10

Neptunus


o Neptunus tem uma cave. quando o capitão ordena, descemos ao "menos um" para ver o fundo do mar. ficamos dentro de um aquário invertido. nós, rodeados de vidros e oxigénio, a água no exterior. se o fundo do mar não decidir ficar nublado, podemos ver carcaças de velhos navios naufragados e até uma estátua que outrora estava plantada na costa. é um pequeno Cristo-Rei que nos fixa de braços abertos. é comovente. naquela pedra não há colónias de algas e peixes. é um milagre. submersos dentro do Neptunus é fácil acreditar em milagres. só há um senão: metade da tripulação enjoa sempre e nem ousa descer à cave. o Neptunus, ou a ondulação à volta da ilha do Sal, deixa as pessoas doentes ou milagradas. e isso está para além do pão nosso de cada dia. é natural, pois, que só os turistas procurem essa extraordinária experiência.

14.11.09

1-0, 1-1, 1-2, n-n

Portugal venceu a Bósnia-Herzegovina por 1-0. Teria sido bom voltar a Mostar (ou Sarajevo) e ver lá o jogo. ou... quero lá saber do jogo. Eu tenho é vontade de voltar à Bósnia-Herzegovina. As sequências de imagens que não vou esquecer são bem melhores que passes de futebol. (ok, viva a Selecção nacional! :P)

Fotos MRF
Mostar, 2008