Quiné Teles e Micaela Vaz na Casa da Música! Adoro estas misturas! E a tua voz, Micaela!
Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música. Mostrar todas as mensagens
6.7.12
5.7.12
30.6.12
Micaela Vaz
No dia 5 de Julho, podem ouvi-la ao vivo na Casa da Música, no Porto. Que voz tão bonita, Micaela Vaz!
24.6.12
Bernardo Sassetti (n. 24 de Junho 1970 - m. 2012)
Como Desenhar Um Circulo Perfeito (2009)
Realização: Marco Martins
Argumento: Gonçalo M. Tavares, Marco Martins
Música: Bernardo Sassetti
Realizador: Vicente Jorge Silva
Escritores: Vicente Jorge Silva (escritor), Raul Brandão (livro)
Música: Bernardo Sassetti
Second Life - Behind The Scenes Teaser (2009)
Realizador: Miguel Gaudêncio,
Alexandre Valente
Escritores: Alexandre Valente
Música: Bernardo Sassetti
Etiquetas:
Alexandre Valente,
Bernardo Sassetti,
Cinema,
Gonçalo M Tavares,
Literatura,
Marco Martins,
Miguel Gaudêncio,
Música,
Raul Brandão,
Vicente Jorge Silva
18.6.12
Thalassa platia
You can be unkind
Where the children play
And you drown their castles in the tide
They don't seem to mind
For they run to you and
Their arms are open wide
Que troem as tempestades mas que este mar, na Grécia, não deixe de ser protector.
Como nesta canção, que eu adoro________
Where the children play
And you drown their castles in the tide
They don't seem to mind
For they run to you and
Their arms are open wide
Que troem as tempestades mas que este mar, na Grécia, não deixe de ser protector.
Como nesta canção, que eu adoro________
Thalassa platia (Deep And Silent Sea)
Deep and silent sea,
Close to you I feel protected
You are so like me
In your face I am reflected
Tell me what to do
For you know so well
My soul is restless too
Touching every shore
You belong to no one ever
Let the tempest roar
You remain and dwell forever
Secret are your ways
Do you wonder that I'd love you
All my days
You can be unkind
Where the children play
And you drown their castles in the tide
They don't seem to mind
For they run to you and
Their arms are open wide
Teach me to be free
To be sure and strong and sea-like
Deep and shining sea
You are what I long to be like
Let the world go by
I will love you till
The silent sea runs dry
[Maestro: Andreas Pylarinos; Intérprete: Magda Pensou ]
[Versão original no MusicHall desta casa]
16.6.12
I Superlativi
I tuoi occhi
ci vedo dentro desideri di parole
se mi ci vedo assomiglio all'amore
se sono verdi è il mare senza parole...
ci vedo dentro desideri di parole
se mi ci vedo assomiglio all'amore
se sono verdi è il mare senza parole...
I Superlativi
Title : Verrà la morte
Text : Cesare Pavese (1950)
Music : Léo Ferré (1969)
Album : La Vie d'artiste 1961-1971
13.6.12
Fugas & O Corvo
«Fugas & O Corvo é um espectáculo que conjuga a música ao vivo e a dança, em
cujos intérpretes (músicos e bailarinos) criam um corpo comum de sons e de
gestos.
O desafio foi lançado pelo 04 Mix Ensemble (sob a direcção artística do Guitarrista Carlos Lima), à Buzz Companhia de Dança (com direcção coreográfica de Vera Santos).
Num primeiro momento, os contrapunctus I, II e III da Arte da Fuga (Die Kunst der Fuge) de Johann Sebastian Bach servem de mote para o desenvolvimento coreográfico, centrado no isolamento de partes do corpo numa analogia ao pormenor compositivo das respectivas partituras.
O segundo momento é uma coreografia feita a partir do original, The Crow, de Dusan Bogdanovic, com poema de Ted Hughes, uma Ballet Poema para 3 instrumentos e uma voz.
Obra complexa que tem a particularidade de conciliar uma poesia dramática (de negro carregado) com uma musicalidade luminosa (viva e cristalina).»
O desafio foi lançado pelo 04 Mix Ensemble (sob a direcção artística do Guitarrista Carlos Lima), à Buzz Companhia de Dança (com direcção coreográfica de Vera Santos).
Num primeiro momento, os contrapunctus I, II e III da Arte da Fuga (Die Kunst der Fuge) de Johann Sebastian Bach servem de mote para o desenvolvimento coreográfico, centrado no isolamento de partes do corpo numa analogia ao pormenor compositivo das respectivas partituras.
O segundo momento é uma coreografia feita a partir do original, The Crow, de Dusan Bogdanovic, com poema de Ted Hughes, uma Ballet Poema para 3 instrumentos e uma voz.
Obra complexa que tem a particularidade de conciliar uma poesia dramática (de negro carregado) com uma musicalidade luminosa (viva e cristalina).»
Etiquetas:
04 Mix Ensemble,
Buzz Companhia de Dança,
Carlos Lima,
Dança,
Dusan Bogdanovic,
Johann Sebastian Bach,
Música,
Poesia,
Ted Hughes,
Vera Santos
10.6.12
Dia de Portugal com pregos e sardinhas
«...às vezes não sei se Portugal não é o que o mar não quer...»
António Lobo Antunes
Etiquetas:
Anthony Bourdain,
António Lobo Antunes,
Carminho,
Dead Combo,
Fado,
Gastronomia,
História,
Lisboa,
Literatura,
Média,
Música,
Tozé Brito,
Turismo,
Viagens
8.6.12
Je Suis Bien
A única pessoa para quem Jacques Brel compôs. Pelos idos de 90, ouvi-a na Aula Magna, numa gala de homenagem a Brel. Belíssima Gréco! Esta canção___ Brel também cantou mas nunca a gravou.
Chanteuse Juliette Gréco, muse of the 1950s existentialists of Montmartre, was the first to bring the talent of Jacques Brel before the French public with her cover of Brel's "Ca Va, Le Diable." "Je Suis Bien" is a moody, somewhat ironic song Brel wrote for her to perform. He never recorded it himself. Following Gréco's version is a rare live performance by Brel from his last tour of French Equatorial Africa in 1966. He appears to have just written the song, or maybe didn't remember the words.
The music was written by Brel's collaborator Gérard Jouannest who is still alive and married to Juliette Gréco.
3.6.12
Quotidiano
QUOTIDIANO
O insecto caolho é atraído
pelo viscoso perfume das rosas
Geme no giradiscos a voz de Mercedes Sosa
e seu coração voltado ao sul
O poeta, a memória levemente sangrando,
morre de medo que a amada o abandone
Desesperado e indiferente
o rumor da panela de pressão
é igual ao de todos os dias...
in JOÃO MELO, A Construção do Tempo
Editora Nós Somos, 2012
O insecto caolho é atraído
pelo viscoso perfume das rosas
Geme no giradiscos a voz de Mercedes Sosa
e seu coração voltado ao sul
O poeta, a memória levemente sangrando,
morre de medo que a amada o abandone
Desesperado e indiferente
o rumor da panela de pressão
é igual ao de todos os dias...
in JOÃO MELO, A Construção do Tempo
Editora Nós Somos, 2012
2.6.12
Bom fim de semana!___com Mischa Maisky e Martha Argerich.
De Edvard Grieg (Noruega,1843-1907), Op. 36 Sonata for cello and piano in A minor.
Grieg Cello Sonata A-minor-1M (1/3)
De César Franck (Bélgica, 1822-1890), Sonate en la majeur pour violon avec piano (4º andamento)
[If...: Sites de Mischa Maisky e Martha Argerich]
26.5.12
Lama
Mário Vitória (2008). A caminho da macacada.
Acrílico s/ tela. 30x30 cm.
Ainda a pensar na poesia-denúncia de Laurie Anderson no espectáculo que vi no TA: Another Day in America, "histórias de Laurie Anderson sobre a vida na América contemporânea".
Uma (micro)história:
Desesperadamente à procura de inimigos que nunca mais chegavam, os EUA tornaram-se o seu próprio inimigo. Já não há um país, há um campo de batalha. Os campos de batalha têm leis próprias. A lei mais importante foi aprovada no final de 2011 pelo senado: é permitida a prisão por tempo indefinido.
Desesperadamente à procura de inimigos que nunca mais chegavam, os EUA tornaram-se o seu próprio inimigo. Já não há um país, há um campo de batalha. Os campos de batalha têm leis próprias. A lei mais importante foi aprovada no final de 2011 pelo senado: é permitida a prisão por tempo indefinido.
Outra (micro)história:
As pessoas podem viver em casas que têm pianos brancos e cães que tocam piano. As pessoas podem não ter nada. Os que nada têm, normalmente já tiveram: uma casa sem pianos brancos e um trabalho.mas perderam tudo. Quando isso acontece, saiem das cidades e vão viver para florestas. Laurie tinha ouvido falar dessas pessoas e um dia decidiu visitá-las. Perto de Nova Iorque, mais precisamente em New Jersey. Chegou e disse Olá mas ninguém respondia. Enfim, acabou por aparecer uma mulher, uma assistente social que vivia naquele campo há cinco anos. Chorava muito. Laurie viu centenas de famílias que viviam em tendas na floresta.como há muitos anos atrás, antes de haver cidades.
As pessoas podem viver em casas que têm pianos brancos e cães que tocam piano. As pessoas podem não ter nada. Os que nada têm, normalmente já tiveram: uma casa sem pianos brancos e um trabalho.mas perderam tudo. Quando isso acontece, saiem das cidades e vão viver para florestas. Laurie tinha ouvido falar dessas pessoas e um dia decidiu visitá-las. Perto de Nova Iorque, mais precisamente em New Jersey. Chegou e disse Olá mas ninguém respondia. Enfim, acabou por aparecer uma mulher, uma assistente social que vivia naquele campo há cinco anos. Chorava muito. Laurie viu centenas de famílias que viviam em tendas na floresta.como há muitos anos atrás, antes de haver cidades.
Antes destas histórias, Laurie quis saber por que razão o nosso planeta se chama Terra. Não é um nome particularmente bonito. Sugeriu outros nomes. Um deles pareceu-me perfeito: planeta Lama.
24.5.12
Laurie Anderson em Aveiro
O espetáculo tem como mote Another Day in America, "histórias de Laurie Anderson sobre a vida na América contemporânea". O concerto reunirá violino elétrico, teclas e eletrónica. "Peças de violino a solo tais como Flow from Homeland serão misturadas com sonoridades eletrónicas, de forma a introduzir uma visão íntima no estilo da escrita de canções".
Oh yes!
Oh yes!
__________
«O mais difícil é começar. Em tudo, o mais difícil é começar.
É por isso que os gagos só gaguejam no início das palavras. Eles ga-ga-ga-gaguejam.
É difícil começar. Temos sempre medo. Temos sempre medo de começar.
Ninguém gagueja no fim. Ninguém gagueja-ja-ja-ja.
Porque ninguém tem medo no fim.
No fim, o medo não tem sentido.
No fim, às vezes, existe outra coisa. Arrependimento.»
___Disse a Laurie Anderson. No pri-pri-pri-primeiro festival de música do Castelo, em Montemor-o-Velho (2006). Ama-ma-manhã, quer di-dizer, hoje, vou vê-vê-la de novo. Vai ser bom (dito muito rapidamente. e sem arrependimento).
É por isso que os gagos só gaguejam no início das palavras. Eles ga-ga-ga-gaguejam.
É difícil começar. Temos sempre medo. Temos sempre medo de começar.
Ninguém gagueja no fim. Ninguém gagueja-ja-ja-ja.
Porque ninguém tem medo no fim.
No fim, o medo não tem sentido.
No fim, às vezes, existe outra coisa. Arrependimento.»
___Disse a Laurie Anderson. No pri-pri-pri-primeiro festival de música do Castelo, em Montemor-o-Velho (2006). Ama-ma-manhã, quer di-dizer, hoje, vou vê-vê-la de novo. Vai ser bom (dito muito rapidamente. e sem arrependimento).
23.5.12
As with rosy steps the morn
Lorraine Hunt Lieberson - Händel - Theodora - As with rosy
Georg Friedrich Händel
THEODORA
(1750)
An Oratorio
Words by Thomas Morell
17. Recitative
(...)Irene
Ah! Whither should we fly, or fly from whom?
The Lord is still the same, today, for ever,
And his protection here, and everywhere.
Though gath'ring round our destin'd heads
The storm now thickens, and looks big with fate,
Still shall thy servants wait on Thee, O Lord,
And in thy saving mercy put their trust.
18. Air
IreneAs with rosy steps the morn,
Advancing, drives the shades of night,
So from virtuous toil well-borne,
Raise Thou our hopes of endless light.
Triumphant saviour, Lord of day,
Thou art the life, the light, the way!
As with rosy steps. . .
20.5.12
Are you ready boots?
Canção dedicadíssima ao ainda ministro Miguel Relvas (temos que ir por partes):
«These boots are made for walking, and that's just what they'll do
one of these days these boots are gonna walk all over you
«These boots are made for walking, and that's just what they'll do
one of these days these boots are gonna walk all over you
You keep lying, when you ought...a be truthin'
and you keep losin' when you oughta not bet.
You keep samin' when you oughta be a changin'.
Now what's right is right, but you ain't been right yet.
These boots are made for walking, and that's just what they'll do
one of these days these boots are gonna walk all over you.
You keep playin' where you shouldn't be a playin
and you keep thinkin' that you'll never get burnt.
Ha!
I just found me a brand new box of matches yeah
and what he knows you ain't HAD time to learn.
These boots are made for walking, and that's just what they'll do
one of these days these boots are gonna walk all over you.
Are you ready boots? Start walkin'!»
Nancy Sinatra - These Boots Are Made For Walking (1966)
17.5.12
Eivør Pálsdóttir
Eivør Pálsdóttir é originária das Faroe Islands, um arquipélago situado no mar da Noruega, muito próximo da Islândia, mas que pertence ao reino da Dinamarca! A mais recente descoberta!
13.5.12
Da Noite ao Silêncio
Bernardo Sassetti - Da Noite ao Silêncio
Uma peça musical pode conter a (precária)raridade que somos. Consistência e fragilidade.
Queremos pôr a mão no ombro do homem que compõe e executa. A peça compele à aproximação.
Se ele é já uma ausência. Descobrimo-nos incapazes ou absurdos. Tememos.
Queremos pôr a mão no ombro do homem que compõe e executa. A peça compele à aproximação.
Se ele é já uma ausência. Descobrimo-nos incapazes ou absurdos. Tememos.
O Mistério de Teresa Salgueiro
I. Explicar às minhas filhas quem é a Teresa Salgueiro. Se é fadista? - não. É tipo a vocalista dos Deolinda? - não. Canta o quê? - Música portuguesa. (Vá, definam o estilo dos Madredeus a duas miúdas de 12 anos, não esquecendo de as motivar para o espectáculo que vão ver a seguir. Ah, elas gostam da Adele, mas também da Rhianna!). Ela canta MUITO bem, fez parte dos Madredeus - podem ouvir todos os CDs - e esse grupo teve imenso sucesso em todo o mundo, até no Japão! No Japão? - sim. E depois de vários anos a trabalhar juntos, decidiram separar-se. Desde há algum tempo, a Teresa Salgueiro tem projectos a solo.
Desconfiadas, foram ver o espectáculo. Primeira impressão: a sala está cheia de pessoas mais velhas, mesmo mais velhas do que eu! É um facto! E não percebo, juro que não percebo. Então agora os fãs dos Madredeus esqueceram ou rejeitam a vocalista! As músicas afinal eram tristes ou chatas, arrastavam-se qual filme de Manoel de Oliveira! Não percebo. A sala está cheia mas não há malta de 20/30 anos e a minha faixa etária também está mal representada. As miúdas têm razão: é só cabelos brancos!
Começa o espectáculo, ouve-se a primeira canção do novo álbum, "O Mistério". E só vos digo: a Teresa Salgueiro e a sua banda exige muito respeitinho. As minhas filhas perceberam o que é cantar irrepreensivelmente bem. Elas sabem, a voz que vem da garganta, o fôlego imenso, e parecer tão simples. E a presença em palco. Sempre contida, é certo. Mas a classe, senhores, a classe. Finalmente (mas não menos importante nestas idades), ela é bonita.
Desconfiadas, foram ver o espectáculo. Primeira impressão: a sala está cheia de pessoas mais velhas, mesmo mais velhas do que eu! É um facto! E não percebo, juro que não percebo. Então agora os fãs dos Madredeus esqueceram ou rejeitam a vocalista! As músicas afinal eram tristes ou chatas, arrastavam-se qual filme de Manoel de Oliveira! Não percebo. A sala está cheia mas não há malta de 20/30 anos e a minha faixa etária também está mal representada. As miúdas têm razão: é só cabelos brancos!
Começa o espectáculo, ouve-se a primeira canção do novo álbum, "O Mistério". E só vos digo: a Teresa Salgueiro e a sua banda exige muito respeitinho. As minhas filhas perceberam o que é cantar irrepreensivelmente bem. Elas sabem, a voz que vem da garganta, o fôlego imenso, e parecer tão simples. E a presença em palco. Sempre contida, é certo. Mas a classe, senhores, a classe. Finalmente (mas não menos importante nestas idades), ela é bonita.
II. Agora eu. Não sei porquê, mas entro no Teatro e penso no Bernardo Sassetti. Vi-o tocar naquela sala. Mas não é isso. É ele todo, o músico e o homem. É a minha geração. Espero que a Teresa Salgueiro lhe dedique uma canção. Espero. Não sei porquê, parece-me bem. Ela não me fez a vontade, apesar de ter falado bastante sobre O Mistério. Há lá maior mistério que a morte! A verdade é que as canções são muito bonitas e a qualidade musical da banda, dos arranjos, a perfomance, é notável. Comovo-me às vezes. Continuo a pensar no Sassetti, enquanto sussuro beijos e pequenas atenções no ouvido das filhas. "Já viram que o contrabaixo está cortado?", "Ela parece uma odalisca, quando abre os braços e ondula as ancas!",....
As filhas vão-se enroscando à medida que as canções se sucedem. Mas não há canções de embalar. O ritmo é forte, o timbre poderoso, o silêncio desperta, há variações que nos fazem querer rodar na cadeira. Há espanto. Estava a ouvi-la e a vê-la e dei comigo a pensar nas minhas divas da América Latina, a postura séria, a voz que encarna uma causa. Teresa Salgueiro defende o conceito do mistério da vida, dos mistérios, fonte da nossa fragilidade e da nossa força. E a necessidade de manter a integridade do ser. Os cabelos compridos da Mercedes Sosa, da Lilla Downs. Um misticismo que-não-é-assim-tão discreto. Mas também ouço e vejo as minhas divas africanas e árabes, Magida El Roumi, Natasha Atlas, Fairouz, Om Lalthoumem. São algumas variações, a tónica musical, a contenção, os temas: a ausência do amado (ela poderia dizer habibi, em vez de meu amado, meu amor), os quatro elementos (a luz da manhã, a terra seca, o firmamento, oásis..., palavras que fixo). Há uma fusão de influências. O acordeão (Carisa Marcelino), a bateria e percussão (Rui Lobato), o contrabaixo (Óscar Daniel Torres) e a guitarra (André Filipe Santos) levam-nos numa viagem. Ouvimos tangos, ritmos tribais, danças do véu, trovas de ventos que passam e vão ficando, fados, toques jazzy, eu sei lá! Mas respiramos bem porque é tudo confusamente simples e harmonioso.
A alegria. Falta falar da alegria que vai crescendo. Eu acho que poderia ser maior ainda se os poemas tivessem sido renovados. Na obra da Teresa Salgueiro, ou neste álbum, isso não aconteceu. Comprei o CD e confirmo a impressão de que a escrita deve ter sido colectiva (como foi colectiva a composição musical). Os poemas não têm autor designado. A artista evoluiu, musicalmente surpreende. Mas as palavras, mesmo que inseridas noutras frases, são as mesmas. «Nas ondas do mar/na luz serena da chuva/eu sei. Aguardo as palavras/suspensas no silêncio/e vou». É belo mas é Madredeus e, naquela mesma voz, o verso belo parece gasto. Foi assim comigo.
De resto, só queria que ela tivesse feito uma pausa no seu imenso profissionalismo, no seu esquema impecável, e dissesse Bernardo Sassetti, o músico velado àquela mesma hora. É a nossa geração, Teresa Salgueiro.
Etiquetas:
André Filipe Santos,
Bernardo Sassetti,
Carisa Marcelino,
Espectáculo,
Música,
Óscar Daniel Torres,
Rui Lobato,
Teresa Salgueiro
12.5.12
Subscrever:
Mensagens (Atom)


