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2.7.12

Divertimento com sinais ortográficos


?
Serás capaz
de responder a tudo o que pergunto?

?
Gosto de quem responde
antes de perguntar...
 
 ,
Quando estou mal disposta
(e estou-o muitas vezes...)
mudo o sentido às frases,
complico tudo...
 


 ¨
Frequento palavras estrangeiras

Já vivi em saudade,
mas expulsaram-me
(p'ra sempre?...)
da língua portuguesa.

 §
 Tenho colo de cisne e corpo de hipocampo.

 ^
Se me puseres
serás a mais bonita das mulheres...

Ç
Uma vírgula rebaixada
à condição de cedilha.


!
Não abuses de mim

( )
Quem nos dera bem juntos
sem grandes apartes metidos entre nós!

~
...
Desafio um francês a possuir-me
quando estou, por exemplo, em coração...

~
Sou mesmo útil!

.
Que eu saiba
só em Éluard sou único e final.

~
Em certas caligrafias quase voo
como uma andorinha destelhada...

~
Noutras,
sou uma sobrancelha franzida.

:
Introduzimos, por vezes,
frases nada agradáveis...

~
Para ladrar, o cão
não precisa de mim!

?
Como uma orelha, abro-me
sobre um silêncio embaraçado...

-
Que nos separa, Amor, um traço de união?...

...
Em aberto, em suspenso
fica tudo o que digo.

E também o que faço é reticente...


in O'Neill, Alexandre, «Abandono Vigiado (1960)», "Poesias Completas", Assírio & Alvim, 2002

1.7.12

Sequências




INOCÊNCIA

No pórtico da casa, entre lilases,
o par de namorados brincava de apertar-se as mãos
e de contar os dedos.
Havia sempre um dedo a mais.


SABEDORIA

Tarde da noite, o «party» terminava
num desabar de bêbados
e de falsos bêbados.

O bêbado despiu-se lentamente,
os falsos bêbados rodearam-no.

No dia seguinte, ninguém conseguia lembrar-se do que acontecera.


JORGE DE SENA in "Sequências", Série «América, América, I Love You", colecção Círculo de Poesia da Moraes Editores, 1ª ed. de Julho de 1980
(Os dois poemas foram escritos a 12/Ago/1969)

Ilustração: Cruzeiro Seixas (1969), "Anda espreitar o que há dentro de um desejo", Tinta-da-China s/ papel, 20x15 cm

Herta Müller



A escritora romena Herta Müller (n. 1953) ganhou o Nobel de Literatura em 2009. Foi perseguida durante a ditadura de Ceausescu. O seu processo na Polícia de Segurança estatal chegou às 914 páginas. Na exposição sobre a vida e obra da escritora, organizada pelo Centro de Cultura Contemporánea de Barcelona, promovida pelo Goethe Institute, há documentos desse processo que são revelados ao público. O El País (que anda um dislate nestes tempos de Euro 2012) lá cumpriu o seu papel e foi ao encontro de Müller. O artigo é óptimo!

«...la dura tristeza de Müller embiste con el lenguaje, desde el mismo título de la conferencia: El idioma como patria. “Ese epígrafe no es mío: la lengua no es una patria, nunca lo es; las lenguas no causan las catástrofes… Un escritor cubano hablará la misma lengua que sus carceleros pero esa lengua habrá dejado de ser su patria”

«“Mis preferencias por escribir prosa o lírica son intuitivas. Cuando iba hacia los interrogatorios de la Securitate solía recitarme poesías, me daban fuerza… El miedo a la muerte no elimina nuestros sentimientos; con el miedo no se pierde la fantasía, sino que ella y tú misma te vuelves un poco más loca, los ojos se te hacen más grandes… Lo he vivido; la poesía es más pragmática para sobrevivir, te da más tranquilidad; por eso el amor desmesurado por la poesía en las dictaduras”

«Tras El hombre es un gran faisán en el mundo (1986), el acoso de los interrogatorios, el cerco a sus amistades, escuchas y censura de sus textos la colocan al borde del abismo. Y la obligan en marzo de 1987 a buscar desesperadamemte un permiso de salida que le costó 8.000 marcos al gobierno alemán y otros tantos a su familia en sobornos

30.6.12

Poema

POEMA

Eu não quero o teu corpo
Eu não quero a tua alma
Eu deixarei intacto o teu ser e a tua pessoa inviolável
Eu quero apenas uma parte neste prazer
A parte que não te pertence.


Joaquim Cardozo (1897-1978)

29.6.12

Saint Exupery


Acabam de me lembrar Antoine de Saint-Exupéry no aniversário do seu nascimento, há 112 anos.

E veio à memória um verão passado em França, em que me emprestaram um livro sobre a vida de Saint Exupéry e Consuelo Sandoval, a única mulher com quem casou. Tirei várias notas, apontei algumas frases. Gosto desta:

"Il faut que ma femme me rapelle que je suis tellement amoureux."

Dulce Maria Cardoso

Foto MRF

Conheci Dulce Maria Cardoso em Setembro de 2010, por intermédio de Elsa Ligeiro (Editora Alma Azul) que, em Portugal, deve ter sido das primeiras pessoas a "galardoar" a escritora. Nesse dia, o encontro foi marcado na Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Conversámos sobre Hélia Correia, que dela disse ser "Uma assombrosa criadora" (citação na badana de um livro) e de outros escritores, e de livros, e de cada um dos seus livros.... No final da tarde, DMC recebeu o Prémio Ciranda, numa cerimónia muito simples e simpática (tal qual as duas senhoras protagonistas, na foto).

Em 2009, já recebera o Prémio Europeu de Literatura pelo romance “Os Meus Sentimentos”. A imprensa portuguesa, contudo, só começou a dar-lhe algum destaque em 2011, quando publicou “O retorno”, sobre a experiência dos retornados e da descolonização de Angola. O romance foi então considerado pela crítica como o melhor do ano e venceu ainda o prémio especial da crítica nos Prémios LER/Booktailors 2011. 


Ontem, ficamos a saber que o Ministério da Cultura francês a distinguiu com a condecoração da Ordem das Artes e das Letras, uma das mais altas distinções honoríficas da República Francesa.

A maioria dos portugueses não deverá sequer reconhecer o seu nome. Triste fado! E depois, é claro, este não é um caso isolado...

24.6.12

Bernardo Sassetti (n. 24 de Junho 1970 - m. 2012)

Como Desenhar Um Circulo Perfeito (2009)

Realização: Marco Martins Argumento: Gonçalo M. Tavares, Marco Martins
Música: Bernardo Sassetti

As Ilhas Desconhecidas (2009)
Realizador: Vicente Jorge Silva
Escritores: Vicente Jorge Silva (escritor), Raul Brandão (livro)
Música: Bernardo Sassetti

Second Life - Behind The Scenes Teaser (2009)

Realizador: Miguel Gaudêncio, Alexandre Valente
Escritores: Alexandre Valente
Música: Bernardo Sassetti

19.6.12

Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui!

Rudolf Koppitz. Rock Thrower. 1923

A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada. Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, porém não cansado de sonhar. De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Em sonhos consegui tudo. Também tenho despertado, mas que importa? Quantos Césares fui! E os gloriosos, que mesquinhos! César, salvo da morte pela generosidade de um pirata, manda crucificar esse pirata logo que, procurando-o bem, o consegue prender. Napoleão, fazendo seu testamento em Santa Helena, deixa um legado a um facínora que tentara assinar a Wellington. Ó grandezas iguais à da alma da vizinha vesga! Ó grandes homens da cozinheira de outro mundo! Quantos Césares fui, e sonho todavia ser.
Quantos Césares fui, mas não dos reais. Fui verdadeiramente imperial enquanto sonhei, e por isso nunca fui nada. Os meus exércitos foram derrotados, mas a derrota foi fofa, e ninguém morreu. Não perdi bandeiras. Não sonhei até ao ponto do exército, onde elas aparecessem ao meu olhar em cujo sonho há esquina. Quantos Césares fui, aqui mesmo, na Rua dos Douradores. E os Césares que fui vivem ainda na minha imaginação; mas os Césares que foram estão mortos, e a Rua dos Douradores, isto é, a Realidade, não os pode conhecer. Atiro com a caixa de fósforos, que está vazia, para o abismo que a rua é para além do parapeito da minha janela alta sem sacada. Ergo-me na cadeira e escuto. Nitidamente, como se significasse qualquer coisa, a caixa de fósforos vazia soa na rua que se me declara deserta. Não há mais som nenhum, salvo os da cidade inteira. Sim, os da cidade dum domingo inteiro – tantos, sem se entenderem, e todos certos.
Quão pouco, no mundo real, forma o suporte das melhores meditações. O ter chegado tarde para almoçar, o terem-se acabado os fósforos, o ter eu atirado, individualmente, a caixa para a rua, mal disposto por ter comido fora de horas, ser domingo a promessa aérea de um poente mau, o não ser ninguém no mundo, e toda a metafísica.
Mas quantos Césares fui!

in O LIVRO DO DESASSOSSEGO, de BERNARDO SOARES

16.6.12

Incompreensão inteligente



Lembrei-me de mim, com 18, 20 anos. Muita curiosidade por tudo e, não sei se era armanço, mas havia avidez. Uma vez fui ver O Público, peça de Garcia Lorca, no Teatro da Cornucópia (encenação de Luís Miguel Cintra). Não estava a perceber patavina mas olhava à minha volta e todos pareciam seguros de uma particular compreensão. Eu começava a gostar de uma personagem e ela desaparecia. Fixava os movimentos dos actores. Lembro-me com nitidez do rosto do LMC iluminado de-baixo-para-cima. Daria uma bela fotografia. Mas qual o sentido daquela fala? Perguntei à minha amiga: "estás a perceber?" - Ela respondeu-me simplesmente: "não". Depois a peça acabou e fui ler as críticas da imprensa fixadas nas paredes do Teatro. O conceito do teatro egoísta de Lorca. O surrealismo a centrar o teatro em si mesmo. Queriam lá saber do público e da sua necessidadezinha de entender tudo! Fiquei mais tranquila. Fui tão bom público daquela peça. Quão eficaz o Lorca e o encenador na provocação de uma agitação interior!

Mas outras vezes, só a sensação do bom. e olha, vai ver. ou ouve, ou lê. Não te sei explicar, é bom.

3.6.12

Quotidiano

QUOTIDIANO

O insecto caolho é atraído
pelo viscoso perfume das rosas

Geme no giradiscos a voz de Mercedes Sosa
e seu coração voltado ao sul

O poeta, a memória levemente sangrando,
morre de medo que a amada o abandone

Desesperado e indiferente
o rumor da panela de pressão
é igual ao de todos os dias...

in JOÃO MELO, A Construção do Tempo
Editora
Nós Somos, 2012
 

A minha companheira

A MINHA COMPANHEIRA
[Tradição oral Umbundu, Angola]


A minha companheira
nunca se molha
nunca se queixa
do calor ou do frio.

Ambos comemos juntos,
a todas as refeições.

Se lhe ofereço comida,
ou se lhe ofereço de beber,
ela recusa.

- porque não é capaz
de o fazer sozinha.

A minha companheira
segue-me sempre,
e faz exactamente o que eu faço:

- se ando
ela anda;
se paro,
ela pára;
se me sento,
ela senta-se;
se me levanto,
ela levanta-se;
se me deito,
ela deita-se,
se falo,
ela fala.

- mas ninguém ouve
o que ela diz.


_______ a minha sombra.
 


 in ZETHO CUNHA GONÇALVES, Rio Sem Margem- Poesia da Tradição Oral
Editora
Nós Somos, 2011
 Floris Neusüss

30.5.12

Phèdre

Katia Chausheva

Je le vis, je rougis, je pâlis à sa vue;
Un trouble s'éleva dans mon âme éperdue;
Mes yeux ne voyaient plus, je ne pouvais parler;
Je sentis tout mon corps, et transir et brûler.


in Racine, Phèdre (1677)
(Phèdre quando encontra Hippolyte pela primeira vez)



Phèdre Maria CASARES 1958 Théâtre National Populaire

27.5.12

Sequências


Outro achado de hoje, na Feira de Velharias, foi uma 1ª ed. de SEQUÊNCIAS, de JORGE DE SENA (org. Mécia de Sena, Moraes Editores, 1978). Este exemplar tem a particularidade de ter sido oferecido por Nuno Bragança (1929-1985) a uma Magda "que cresce e faz crescer". O gato era a sua assinatura para os amigos.

Da primeira série de sequências, "Invenções «Au goût Du Jour»", «Breve História Sócio-Cultu
ral da Nação, Incluindo Um Anglicismo»:

D. Tareja fundou
(bastarda)
João I defendeu
(bastardo)
João IV restaurou
(bastarda a casa)
Pedro IV e Miguel ainda lutam
D. João VI chamava à mãe deles «a cabra»
- como pode em grandeza
alguém não ser suspeito de bastardo,
ou como algum bastardo não supor-se grande?


Da série "Clássicos", «Ovação»:

Hoje é muito corrente quando as pessoas
se entusiasmam com um artista ou um político.
No tempo dos romanos era uma espécie reduzida
de triunfo que se concedia quando não
se decretava para o sujeito um triunfo inteiro.

23.5.12

Sobre colonialismo e pós-colonialismo #4


Uma pequena introdução ao par conceptual Próspero e Caliban que, há quase um século, é utilizado simbolicamente na literatura.

Este par é inspirado na peça "Une Tempête" (1969) de Aimé Césaire em que, apropriando-se o escritor e ideólogo da negritude, das personagens de Shakespeare na peça homónima "The Tempest" (1670-71), faz Próspero encarnar o colonizador europeu e simboliza em Caliban o povo colonizado e oprimido.

Ao longo do tempo, as personagens de Shakespeare foram sujeitas
a variadas apropriações mas este par (e, por vezes, Ariel) entram na problemática da colonização, assumindo este sentido por volta dos anos 50, em países que estavam sob dominação colonial. Octave Mannoni ("La psychologie de la colonization", 1949, traduzido para o inglês, em 1956, com o título "Prospero and Caliban"), George Lamming ("The pleasures of exile", 1960), Roberto Férnandez Retamar ("Notes torwards a Discussion of Culture in our America", 1971), Augusto Boal ("A Tempestade", 1979), contribuem fortemente para a criação desta relação metafórica Prospero/Caliban. Aimé Césaire, ele próprio um símbolo da resistência anti-colonial, será apenas o escritor que deu maior projeção ao par.

Por cá, desde os tempos em que Portugal hesitava entre ser Prospero ou Caliban (segundo Boaventura de Sousa Santos*), esse par simbólico também esteve presente.
«
Em l971, Eugénio Lisboa advertia que o título da revista Caliban, publicada em Moçambique era “perfidamente simbólico"».

Próspero e Caliban continuam a andar por aí, numa livraria perto de si!
Para minha surpresa e gáudio, a semana passada encontrei "Próspero Morreu - Poema em Acto" (2011), de Ana Luísa Amaral, numa livraria perto de mim...


* Boaventura de Sousa Santos (2002). «Entre Prospero e Caliban: Colonialismo, pós-colonialismo e inter-identidade» in Maria Irene António Sousa Ribeiro Ramalho (org.). Entre ser e estar. Porto: Afrontamento.

22.5.12

Sobre colonialismo e pós-colonialismo #3


Antes de continuar, ainda com Aimé Césaire, deixo a sugestão de uma obra que reune diversos artigos centrados em 3 grandes temas: literatura de viagens, multiculturalismo e pós-colonialismo. O título da obra: "The paths of multiculturalism : travel writings and postcolonialism : precedings for the Mossel Bay Workshop of the XVIth Congress of the International Comparative Literature Association" (Lisbon : Cosmos, 2000). Os autores são especialistas de diferentes países de cada continente. Devo dizer que a leitura foi bastante estimulante, permitindo estabelecer pontes entre diferentes conceitos__ e diferentes escritores....

Deixo como exemplo um fragmento do artigo de Peter Merrington, «A staggered orientalism: the Cape-to-Cairo idea»:

"
For Hegel, Africa had no history. (...) He makes an exception, however, for two sites on the Mediterranean seabord of Africa - Phoenician Carthage, and Egypt. (...)
Numerous authors writing of the Cape in the decades of the «new imperialism», roughly from 1870 to the 1920s, imitated this Hegelian structure, in historical speculation, in travel writing, and in fiction
.» [p. 105]

Bem, há um autor português que cabe inteiramente nesta afirmação. Pensem em Eça de Queirós (
De Port Said a Suez, 1869; A Relíquia ,1887; O Egipto ,1926, póstumo).

 A obra que referi teve como coordenadores Maria Alzira Seixo, Graça Abreu, Linda Labuschagne e John Noyes.

Sobre colonialismo e pós-colonialismo #2

A Negritude transforma-se num movimento literário, afro-franco-caribenho (a partir do início da década de 1930) baseado na concepção de que há um vínculo cultural compartilhado por africanos negros e seus descendentes onde quer que eles estejam no mundo. O termo "negritude" apareceu provavelmente pela primeira vez no poema de Aimé Césaire, «Cahier d'un retour au pays natal» (1939).


Aqui, link para prefácio da edição de 1947 de "Cahier d'un retour au pays natal", escrito por André Bréton.

Sobre colonialismo e pós-colonialismo #1

Depois de tanto degustar, ocorreu-me sugerir algumas leituras. São vários os autores. Começo por FRANTZ FANON (1925-1961), psiquiatra, militante pela independência da Algéria no FLN, nascido na Martinica e autor de uma obra histórica no que diz respeito à resistência anti-colonialista:

  • Pele Negra, Máscaras Brancas (1952)
  • L'An V de la révolution algérienne (1959)
  • Os Condenados da Terra (1961)
  • Pela Revolução Africana (1964)

Tenho nas mãos "Les damnés de la terre" (prefaciado por Jean-Paul Sartre). Fanon centra-se na psicopatologia da colonização [na origem: «le monde colonial est un monde compartimenté (...) est un monde coupé un deux, habité par des espèces différentes.»] e na questão das identidades nacionais [«la culture nationale est, sous la domination coloniale (...) condamné à la clandestinité»]. No início dos anos 60, a literatura de combate, associada ao conceito de negritude seria a única válida para formar consciências.


18.5.12

Mais uma__duas obras de Saramago adaptadas ao cinema

Depois da versão cinematográfica de Jangada de Pedra, feita em 2002, da animação espanhola A Maior Flor do Mundo, baseada num conto de Saramago para crianças, em 2007, de Ensaio Sobre a Cegueira, em 2008, e finalmente Embargo, em 2010, chegou a vez de levar para as telas O Homem Duplicado, um thriller sobre a extinção da identidade numa sociedade que adora padrões.

O protagonista é Tertuliano Máximo Afonso, um professor de história que está à beira da depressão. Vive um quotidiano entediante, até que decide assistir a um filme para combater o desânimo. O filme não tem nada de especial, mas Tertuliano fica completamente envolvido pelo enredo após identificar um dos actores como um sósia seu – na verdade, um sósia de Tertuliano no passado recente. Obcecado pelo que acredita ser o seu duplo, passa a perseguir o actor, numa sequência encadeada por eventos bizarros.

Será Jake Gyllenhaal quem irá interpretar Tertuliano. Pelo título escolhido, An Enemy, a produção deve evidenciar a perseguição e o suspense propostos por Saramago. Gyllenhaal, que tem alternado papéis em blockbusters como Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo e filmes mais sensíveis (mas não menos populares) como O Segredo de Brokeback Mountain, poderá ser uma boa escolha. O director canadiano Denis Villeneuve, por sua vez, dirigiu Incendies - A Mulher que Canta (2011), nomeado para o Oscar de melhor filme em língua estrangeira. An Enemy começa a ser filmado em 2013.

Last but not least, vem por aí a adaptação de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, uma das obras mais conhecidas de Saramago. À frente da tarefa, está o realizador de José e Pilar, Miguel Gonçalves Mendes. José Saramago espraia-se no site cinematográfico de referência, imdb.