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6.3.06

78 edição e costura

e foi assim, a coser baínhas e botões, que vi a cerimónia dos Oscars! e devo confessar-vos que me descobri mais atenta aos alinhavos que aos discursos. e que raio de cerimónia mais sem graça, previsivelmente um bocadinho mais irreverente, menos previsivelmente sem um momento de emoção (ninguém chorou) ou de surpresas (ok, no fim, não foi o Brokeback Mountain o vencedor, valha-nos isso!)

e foi assim, dedicando-me à costura, que é coisa que acontece raramente mas que me faz sentir muito boa dona-de-casa, que passaram as 3 horas e meia de espectáculo sem que eu adormecesse. entretanto, Dolly Parton? e que raio de rap era aquele que venceu a estatueta?

mas foi assim este ano, e os filmes eram todos muito polémicos, dizem. a homossexualidade é polémica! (ehehehe, em Hollywood?) a transsexualidade ainda mais! pena que o realizador palestiniano não ganhasse o Oscar (melhor filme estrangeiro). enfim, dizem que os judeus na América não gostaram da nomeação. valha-nos que Munique, o segundo filme (depois da Lista de Schindler) da trilogia de Spielberg (aí o Jon Stewart teve piada) tenha tido 5 nomeações mas não tenha ganho nada! mas o melhor argumento não foi para Syriana e isso não quero perdoar. e o George Clooney levou apenas um prémio de consolação. já o filme que realizou e produziu foi esquecido! era polémico? não sei. mas gostei que não se esquecessem de Crash. é verdade que o racismo é um bom tema para ganhar Oscars. mas o filme era mesmo bom.

ah, e o Philip Seymour Hoffman ganhou o Oscar para melhor actor! gostei. desde o Happiness que adoro este actor! mas o Capote, confesso, ainda não vi.

e foi assim que começou uma nova semana. boa semana, minha gente! sem muitas ondas (nem ventos fortes), de preferência. e com alguns bons filmes. se puder ser.

adenda: para saber todos os detalhes mediáticos, winners, discursos e vestidos, vão ao site oficial da Academia e não se esqueçam de o ouvir (tem uns tiques mas não é burro de todo!).

18.2.06

Syriana

Li outro dia que a Administração de G.W. Bush estava a influenciar positivamente a Arte & Cultura americanas. Reason why? Um efeito perverso: os agentes culturais sentiam um enorme desejo de comunicar ao mundo o seu inconformismo e independência face às politicas Bushistas.


Não sei se podemos generalizar, mas SYRIANA é um filme que nasceu com essa motivação. Quem o afirma é George Clooney, sim, esse, o meu regalo, que agora, para além de ser bonitinho, também pode ser apreciado pela sua inteligência. Clooney é um dos produtores do filme e um dos actores - já nomeado pela Academia na categoria de Melhor Actor Secundário - de um elenco fantástico (Matt Damon, Jeffrey Wright, Chris Cooper, Willian Hurt, Christopher Plummer and so on). Minha gente, se este fucking argumento não levar o Óscar da Academia, vou ali e nunca mais volto. Membros da Academia, por favor, ofereçam esse presente à vossa Administração, ela merece!

Stephan Gaghan é o argumentista e realizador deste filme sobre as maquinações do mundo do petróleo e as suas conexões com a política dos Estados, centrando-se no relacionamento dos EUA com o Médio Oriente, e em particular com um imaginário Emirato. O mote foi dado pelo livro See No Evil, de Robert Baer. Baer é um antigo agente da CIA, director de operações para o Médio Oriente entre 1977 e 1997, que decidiu escrever as suas memórias sobre essa experiência.

A trama é complexa porque este mundo é... complexo. Demoramos algum tempo a agarrar e a relacionar os vários personagens e acontecimentos mas é notável. Notável o uso das pontas da "escala social" árabe, o emir e príncipes herdeiros e os trabalhadores emigrados de um campo de petróleo. Notável que uma América ainda sofrida com o 11 de Setembro encene o outro lado da história, nos faça compreender o fácil recrutamento do mártir terrorista, e implique os interesses económicos americanos nessa encenação.

Notável contra todos os anti-americanismos primários. SYRIANA avisa o mundo de que eles, americanos, (não) sabem, como nós (não) sabemos, o que se passa no mundo!