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7.4.06

O Escritor Famoso associa-se ao Lugar da vida secreta das palavras

1. Um dos membros do júri escreve assim, cultivando a vida secreta das palavras.
2. Outro membro do júri e um dos primeiros amigos do Escritor Famoso fazem bater o coração colectando as mais belas palavras do nosso idioma.
3. E para que vos agasto o coração, contando estes segredos? Para que de coisas quase íntimas e simples, belas, se milagrem partilhas. São convites, pois. O primeiro à leitura e ao enamoramento. O segundo à participação numa declaração colectiva de amor às palavras. Pensem naquela que querem eleger e escrevam sobre ela, ou para ela, um pequeno texto. Neste lugar Da vida secreta das palavras os vossos tesouros ficarão guardados.

Eu pensei algodão.

18.11.05

II Encontro EF. Como chegar ao Adamastor e vejam lá se deixam de usar o hotmail :)


Quem vem do Sul: consulte este link. A rotunda que vai dar à rua Batalhão de Caçadores Dez é a da Sé. Aí devem virar à esquerda. Depois vão sempre em frente até encontrar nova rotunda: contornam, virando à esquerda (passam para o outro lado do Canal). E uns 100/200 metros depois encontram um parque de estacionamento (zona do Rossio).

Quem vem do Norte: consulte este link. Não chegam a entrar na rua Batalhão de Caçadores Dez. Centrem-se nessa última rotunda que vai aparecer depois de alguns metros com o canal à vossa esquerda. Contornam-na completamente, virando sempre à esquerda, de forma a se colocarem na margem oposta. E uns 100/200 metros depois encontram um parque de estacionamento (Rossio).

O Rossio é o n° 3 no mapa, e a última rotunda é o n° 6.

Para todos: Depois de estacionarem, perguntam pelo Mercado do Peixe que fica a uns 2 minutos a pé. Chegam a uma praça com o Mercado ao centro e muitos bares e cafés à volta. O Adamastor fica por trás do Mercado, à esquerda de outro canal, numa esquina.

Parece complicado mas não é. E telefonem se precisarem de ajuda.

II Encontro EF (Aveiro city)

Pissoal, já tenho a riserva fêta. É no Adamastor ou não fosse o Camões o grande inspirador dos nossos poetas :lol:
Segue-se tertúlia n'O Navio de Espelhos. Tragam os vossos textos.

Bamos ao qu'intiressa:
Adamastor
Hora - 20h30
Locali - Travessa do Lavadouro, 1 (por trás do Mercado do Peixe) Tel. 234 371 777/8/9

Ementa - qui tal escolherem já entre um bacalhau com broa (16.50 euros) ou com natas (12 euros), ou vitela assada à Vouga (13.50 euros). sim, há outros pratos, mas se ficarmos por estes, com pedido prévio, é mais simples e barato. Os preços fixados incluem entradas, sopa, bebidas, sobremesa e café.

Reservei para 14-17 pessoas (dadas as confirmações já feitas ou quase). Senhores e senhoras, façam o vosso pedido para eu poder ligar para o Restô demain matin.

Quem quiser o meu contacto telefónico ou tiver dúvidas sobre o chemin, mande email. Estou à vossa disposição, que é como quem diz :))

Presenças:
Cláudia Sousa Dias*
Didas
Fausta Paixão
Finúrias
Hipatia
Ivar Corceiro
Ivar Corceiro & Co
Ikivuku
Japinho
Luna
Maria Heli*
mfc
mrf
O'Sanji
Palavras em Linha
PeloUrso
Sónia Sequeira

* falta confirmar

Devo acrescentar mais algum nome?

17.11.05

e ter aqui o Michaux e o Vincent e ter que vos lembrar o regulamento! atenção, acaba hoje às 24h00, o prazo para eleger os melhores textos-poema.

16.11.05

II Encontro EF (Aveiro city)

No próximo Sábado, dia 19, vai haver jantar seguido de tertúlia n' O Navio de Espelhos. Logo vos digo qual é o restaurante ou ponto de encontro. Por agora vamos confirmar as presenças:

Cláudia Sousa Dias
Didas
Fausta Paixão
Finurias
Hipatia
Ikivuku
Ivar Corceiro
Japinho
Luna
Maria Heli
mfc
mrf
O'Sanji
Palavras em Linha
PeloUrso
Sónia Sequeira

E depois, a Hipatia vai precisar de uma boleia, a Maria de um nevão forte, e a J.P. precisa que mudem o turno dela no hospital! :)

Os convivas podem ter participado no EF ou não! Se não participaram, basta terem um blog. Este fica em casa nessa noite. Mas podem trazer os cônjuges ou parceiros na vida, ou um amigo! (ouviste, Paulo?)

Quem se junta a esta lista?

12.10.05

Poesia, por Marquesa D'Aires

Tenho meia dúzia de livros de poesia. Gosto do som das palavras em inglês, parecem-me simples e primordiais. Tenho uns quantos livros do Eugénio de Andrade, o Alberto Caeiro, o Dylan Thomas e pouco mais. A vida é prosa. Soube isso no momento em que, na escola, me mandaram fazer uns versos em rima. Transpirei das mãos, escrevi e apaguei até fazer um buraco no caderno, mas nada me saiu, senão um par de frases mal conchavadas. E quando o professor me chamou à frente do quadro, gaguejei a minha incapacidade de contar histórias em poema. Fui de criança a adolescente, de adolescente a mulher, com esta vergonha na memória. Eis-me chegada aqui, ao instante em que as nossas existências se cruzaram, com a mesma consciência de sempre: a poesia tem segredos que eu não entendo. Não me vejo a dizer coisas que não sei o que são, não sei falar do amor com os requintes das coisas escritas em verso, com subtilezas das partes reservadas, dos lados claros de luz. Sou prosa, escrita da esquerda para a direita, em linha contínua.
Aquela manhã, de mãos transpiradas e papel rasgado, de rosto corado e olhar complacente do meu professor primário, foi clara. O mundo de sentimentos que fervilhava em mim jamais viria ao mundo como poesia. Existia um outro caminho, algures, à minha frente, no meu futuro. Engoli em seco a derrota. Voltei a engolir outras, conforme fui testando atalhos, caminhos largos e veredas. Quis ser actriz e, em sonhos, vi plateias rendidas, mas quando me apresentei num concurso da Comuna, nem passei da primeira fase. Nem chegou a ser humilhante. Assim que entrei para as audições, não restaram dúvidas de que não fazia parte daquela tribo. Aquele excesso de emoções enojou-me, acentuou-me a timidez. E, uma vez mais, gaguejei a declamar um poema, do qual esqueci o título e as palavras.
A voz só não me atrapalhou quando, no último ano do liceu, o professor de português me escolheu para dizer um poema de Alberto Caeiro. 17 anos inseguros, declamei as palavras que falavam da morte e do regresso da Primavera. Disse, sem perceber o profundo sentido do que dizia, que a Primavera viria com a mesma força, estivesse eu viva ou morta. As flores e as árvores não seriam menos verdes que na Primavera passada. Não tropecei em nenhuma letra, em nenhuma mudança de linha. Não sabia ainda que este era um daqueles momentos em que o destino nos mostra o futuro, nos diz o que precisamos saber. Cinco anos depois, no corredor da morte do hospital, a Primavera estava em força e eu não sabia se estaria viva para assistir ao seu regresso. E foi isso que me levou a abrir o caderno, a colocar a caneta sobre o papel para deixar fluir o turbilhão de emoções. Em prosa, antes que a chama se apagasse.

Ilhas, por Marquesa D'Aires


Eu sei que não seria o que sou se tivesse nascido num continente, com a consciência que para lá do meu horizonte há uma imensidão de terra até haver mar. Seria, se calhar, o inverso do que sou. Porque o cenário da minha vida foi sempre esse: uma imensidão de mar até haver terra. O meu infinito é feito de água, tem uma linha que parece recta, mas é curva. Está ali desde que nasci, continuará depois de morrer. A esperança e os pesadelos têm a sua forma.
Nascer e crescer numa ilha é, sem dúvida, uma marca. Os ilheus, quando se encontram, reconhecem-se. Sabem que são únicos, que a vida caminhou por si, longe das mudanças e tormentas que chegam por terra. O mar, sempre o mar, transformam-nos em prisioneiros, mas deixam-nos a salvo. E, talvez por isso, eu gostei mais de Londres do que de Paris, apesar de Paris ser mais bonita.
Aqui, onde a evolução não alterou a geografia, somos terra, água, vento que sopra. Somos também o cruzamento de todos os que chegaram. Piratas argelinos, navegadores de todas as nacionalidades, escravos negros, mouros e portugueses. Os que vieram para fazer fortuna, os que fugiram. Somos os herdeiros de um imenso porto, divididos entre partir e ficar. De olhos postos no mar, nos barcos, mas agarrados ao recorte das montanhas.
Incapazes de esquecer as Primaveras, quando tipuanas e jacarandás cobrem as ruas de flores violeta e amarelas. Tristes e sombrios, quando faltam o sol e os banhos num mar de veludo, numa água nem quente, nem fria. Perdidos se nos tirarem o Natal, essa festa que torna Dezembro um mês mágico. Somos isto. Sou isto também, embora me tenha feito gente no sonho do Mundo. É verdade. Hoje, depois de muitas disputas, sei. Sei que, com todas as influências que já teve, a minha voz terá sempre o som das ondas a arrastar os calhaus da praia. Sou da Ilha, como diziam os marinheiros ingleses.
Tenho, por isso, no corpo, na alma, no modo de sentir e pensar a insularidade. A marca, por vezes, doí como a cicatriz de uma ferida antiga e funda.. É a partida que temos como certa, a noção exacta que, para nós, o Mundo tem lados. Lugares para onde, por sortilégio, tendem a fugir todos os que amamos. Ou então partimos nós, deslidudidos com a ilha, alimentando a esperança de algo melhor. O quê nem se sabe. Eu, pelo menos, não soube antes, não sei hoje. Sei apenas que levei anos a conciliar-me com as raízes, a aceitar-me como sou.
Senti-me excessiva quando cheguei a Lisboa, como se tudo em mim saisse das medidas. Não posso negar que, pela primeira vez na vida, o ar entrava-me nos pulmões de forma livre. Encontrei amigos para a vida e fui muito feliz. Há, nas finas teias que tecemos, nos laços que fazemos, pontas que ficam sempre soltas, desamparadas. Em Lisboa, alguns desses cabos ficaram por ligar. Ainda hoje, quando caminho pelas ruas, quando entro no Metro e olho aquelas caras tristes, sinto o mesmo frio. Ali, apenas me aquece a amizade, o estar com os amigos. Nunca serei dali. Não há nada a fazer quanto a isso. Vivi quatros anos naquela cidade e nunca senti a paixão que me prendeu para sempre a Joanesburgo, a África.

12.7.05

À escuta #11

Era um escritor famoso. Quando alguém com ambições na escrita se aproximava com a intenção de lhe deixar um manuscrito para que o lesse e avaliasse, ele respondia: não, muito obrigado!


Adenda: quem é o próximo a levar o escritor a passear?