Quando nasceu, a 7 de Abril de 1915, a mãe de Eleanor Fagan Gough tinha apenas 13 anos. O pai tinha quinze e abandonou-as pouco tempo depois, seguindo viagem com uma banda de jazz. Eleanor comeu o pão que o diabo amassou. Começou a cantar para sobreviver, num bar de Harlem. Tinha quinze anos. Actuou em várias casas até John Hammond reparar nela, e foi através deste músico-produtor-crítico musical que ela gravou seu primeiro disco (1933): na companhia do rei do swing, o clarinetista Benny Goodman. Era o real início de sua carreira. Atingiu a celebridade, apresentando-se com as orquestras de Duke Ellington, Teddy Wilson, Count Basie e Artie Shaw, e ao lado de Louis Armstrong. Eu descobria-a aos dezoito anos. E esta voz triste, que às vezes parece arrastar o corpo, outras vezes chamar-nos para o amor, que nos dá vontade de dançar ou de beijar, ainda me surpreende. Está viva. Não podem ter passado já (quase) cinquenta anos desde a sua morte! Reconhecemo-nos ainda, tanto, nos seus versos e no modo como os canta...
BILLIE HOLIDAY

EMBRACEABLE YOU
(Gershwin/Gershwin)
CHEEK TO CHEEK
(Irving Berlin)
THE VERY THOUGHT OF YOU
(Ray Noble)

MY MAN
(Charles/Pollack/Williametz/Yvain)Fotos de William P. Gottlieb, The Golden Age of Jazz