Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arte. Mostrar todas as mensagens

17.12.07

Bienal Internacional de Cerâmica de Aveiro VII




Alberto Vieira

VI

QUEM JÁ OUVIU FALAR DA BIENAL INTERNACIONAL DE CERÂMICA DE AVEIRO (8ª EDIÇÃO)?

QUEM TENCIONA VISITAR ESTA MAGNÍFICA EXPOSIÇÃO, RESULTANTE DO MAIS IMPORTANTE CONCURSO DEDICADO À CERÂMICA ARTÍSTICA REALIZADO EM PORTUGAL?

O júri, constituido por Pedro Matos Fortuna, Francisco Laranjo, João Carqueijeiro e Ana Maria Senos, selecionou 103 obras de 83 artistas oriundos de 15 países.

DE 8 A 3O DE DEZEMBRO
DOM. A SEX. DAS 14H ÀS 19H
SÁB. DAS 15H ÀS 22H
no Pavilhão do PARQUE DAS FEIRAS E EXPOSIÇÕES DE AVEIRO
e também no MUSEU DA REPÚBLICA, GALERIA DA PEDRICOSA, GALERIA DA CÂMARA MUNICIPAL, CAPITANIA E OUTRAS GALERIAS DA CIDADE

AS ENTRADAS CUSTAM 1 EURO (ESTUD. E IDOSOS - 0.50).

LAMENTAVELMENTE NÃO EXISTE UM CATÁLOGO (NEM MESMO UM DESDOBRÁVEL RUDIMENTAR!) DISPONÍVEL (OU À VENDA) PARA OS VISITANTES.

QUEM É O RESPONSÁVEL PELA DIVULGAÇÃO DO EVENTO? A NOTORIEDADE É MÍNIMA, O QUE É ABSOLUTAMENTE LAMENTAVEL PORQUE A EXPOSIÇÃO É DE ELEVADA QUALIDADE! ESTE DOMINGO, EU E O MEU PEQUENO GRUPO ÉRAMOS OS ÚNICOS VISITANTES!


[Todas as fotos: MRF]

Bienal Internacional de Cerâmica de Aveiro V




Ao primeiro olhar, percepcionamos as peças que compõem a obra como esculturas de madeira. Os pequenos bancos iludem-nos: na verdade, são de cerâmica. Essa é uma tendência clara na nova cerâmica artística: a imitação de outros materiais. Vejam o 2º Prémio (post I): «Ovos» parecem pedras, «Raízes» parecem esculturas de madeira. Mas é com a textura do papel que mais se brinca e inventa.

Depois a tendência para o texto impresso, poesia inscrita em artefactos de cerâmica.

Pequenas notas. Nadas. Fiquei com vontade de usufruir de uma visita guiada (pela primeira vez isso é possível, por alunos finalistas do curso de Engenharia Cerâmica e Vidro da Universidade de Aveiro). Se for essa também a V/ vontade liguem para este número: 234 377 763.

Bienal Internacional de Cerâmica de Aveiro IV


Bienal Internacional de Cerâmica de Aveiro III



Bienal Internacional de Cerâmica de Aveiro II



[detalhes de Growing]

Growing

Jasmina Pejcici (Sérvia)
1º Prémio



Bienal Internacional de Cerâmica de Aveiro

Raízes

Ovos

Santa Rita (Portugal)
2º Prémio

21.10.07

Dança e Novas Tecnologias

Aivars B.
Crazy Dance


O teatro Aveirense está a organizar o Ciclo Dança e Novas Tecnologias que, ao longo do mês de Outubro e de Novembro, incluirá a apresentação de seis espectáculos. São espectáculos interdisciplinares, que criam pontes entre a arte performativa e a tecnologia. Flatland I, de Patrícia Portela, "aterrorizou-nos" sexta e sábado; dia 26 será a vez de Jukebody, criado e interpretado por Cristiana Rocha; dia 7/11 teremos uma tripla perspectiva do conceito de ego, em Ego Skin, de Amélia Bentes; dia 22/11 poderemos observar a relação telemática entre uma mulher e um homem imaginário em Algum Dia Tinha de Ser a Sério de Lígia Teixeira e Ivan Franco; no dia 30/11, Isabel Valverde vai questionar a portuguesidade do fado-dança com Dança Fora de Horas.

Patrícia Portela gosta de utilizar "tecnologia doméstica", Cristiana Rocha expõe o "corpo em diálogo com um dispositivo cenográfico e tecnológico mais ou menos variável", Amélia Bentes opta pelo desenho digital executado com uma caneta + mesa Wacon ligada a um laptop (software: Adobe Phtoshop em full screen mode), Lígia Teixeira programa todo o sistema usando linguagem audiovisual Pure Data, Isabel Valverde usa uma tecnologia para manipulação de vídeo através de biofeedback e captação de sensores vocais e musculares (EMG).

Dança e novas tecnologias. Facilmente nos assustamos com a temática, ou nem sequer concebemos a relação, se andarmos distraídos. Mas as novas ferramentas são cada vez mais utilizadas pelas artes em geral, e não apenas pela indústria e economia. O que é importante discutir face à evidência? Desde logo, ao nível do ensino, os novos conteúdos e a estratégia pedagógica a adoptar e, ao nível do trabalho artístico, a coerência entre o conceito da obra e as aplicações tecnológicas por que se optou. Parece unânime a opinião de que os novos media devem ser encarados apenas como ferramentas adicionais e que o enfoque deve permanecer no conceptual. Vi Flatland I. Foi criada, com esses suportes, uma nova linguagem estética? Os meios utilizados foram eficazes na transmissão da mensagem (assumam aqui um plural)?
Eu respondo SIM. e este é mesmo um SIM grande. A beleza do "livro" gigante, o layout e a forma como foram programados os efeitos, o jogo que se estabeleceu entre voz e imagem, a "materialização" dos limites e ambições da personagem "Flatland" via esse diálogo, são arrebatadores. Na segunda parte, quando o público é raptado, os media integram o espectáculo em pleno. "Flatland" interage com as imagens projectadas, elas reforçam sentidos.

No dia 18 assisti à conversa e à perfomance que inaugurou o Ciclo Dança e Novas Tecnologias. Organizada e moderada pelo Professor Paulo Bernardino (UA - DeCA), com a participação de vários experts no uso e reflexão destas questões (Dolores Wilber - DePaul University; Len Massey - Royal College of Art, Reino Unido; Heitor Alvelos - Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto; etc.), a conversa centrou-se nos medialabs e no modelo que estes devem assumir em Portugal, nomeadamente como novos espaços de investigação e desenvolvimento (fixei algumas ideias para discussão em próximos posts - depois de regressar de Seia).

A perfomance, assente na utilização de medias simples (papel e fita-cola) e tecnológicos (criando efeitos audio e visuais) procurou levar todos os presentes a interagir. Foi uma experiência lúdica e reveladora. Os media que, por definição, são o que está no meio, criam oportunidades - para criar barreiras, ou para estabelecer ligações. Nesta perfomance, uma criação colectiva muito experimental, a produção de sons (música) e a expressão corporal (coreografias individuais e de grupo, mesmo que rudimentares) aliaram-se. Ponto final___ ou de partida para outra discussão: os media favorecem a convergência nas artes, mas podemos deixar de desenhar fronteiras entre disciplinas?


[Sobre toda a trilogia Flatland, remeto-vos para uma crítica sapiente lida em O Melhor Anjo]

5.9.07

O estado do mundo #2d

... Ou ainda: «a cultura visual da pobreza e da moda» de Zwelethu Mthethwa.




Sem título, 2004



Sem título, da Série Sugar Cane, 2003

O estado do mundo #2c

Outro exemplo são as vitrines-gaiolas de Tracey Rose.



O estado do mundo #2b

Para ilustrar as palavras de Colin Richards sobre as imbricações do humanismo e da violência no trabalho artístico, deixo-vos um link e uma pequena amostra das perfomances do sul-africano Steven Cohen.

O estado do mundo #2



Há cerca de dois anos foi publicado um livro de Edward Said, recentemente falecido, com o título Humanism and Democratic Criticism. Neste livro, Said defende veementemente a importância desse conjunto de ideias e práticas que podemos incluir sob o rótulo «humanismo». O texto de Said é complexo, sem peias, e relaciona-se com termos que ouvimos quase todos os dias - das intervenções «humanitárias» aos crimes contra a humanidade. O Apartheid foi um desses crimes contra a humanidade, como é declarado pela resolução 3068 das Nações Unidas, aprovada a 30 de Novembro de 1973. [..] - o «crime contra a humanidade» - surgiu pela primeira vez no Acórdão de Londres de 8 de Agosto de 1945, que instaurou o tribunal de Nuremberga após a Segunda Guerra Mundial. Foi então que, «pela primeira vez na história do direito, determinados crimes foram considerados de tal magnitude que não agrediram apenas as vítimas directas nem o povo do país ou continente onde foram perpetados, mas também a humanidade no seu todo».

Há aqui claramente uma certa ideia de pan-humanismo a animar este discurso, conferindo-lhe forma, direcção e propósito. Mas igualmente importante é a relação entre o que poderíamos conceber como humano e a ideia de crime quase transcendental, um acto supremo de violência e violação inumanas. É nesta conjugação de violência e humanismo que, na minha opinião, grande parte da arte contemporânea crítica encontra o seu campo de acção. [...]
Talvez o trauma, ou a nossa reacção ao trauma, a forma como sofremos o trauma, a forma como o perpetramos, faça parte do que a nossa comum humanidade engloba. Talvez a energia contida na arte que fazemos esteja mais próxima da violência.

Colin Richards, em Feridas das Descobertas, in O Estado do Mundo
Fundação Calouste Gulbenkian/Tinta da China
2007, pp. 43-44



Fotografia. Mindelo, Cabo Verde, frente à (antiga) Escola Preparatória Jorge Barbosa, Junho 2005

4.9.07

O estado do mundo #1



...quereria citar a descrição de Achille Mbembe de dois discursos relacionados entre si e que constituem interpretações negativas da África generalizadas:

"A África nunca é vista como detentora de coisas e atributos que fazem propriamente parte da «natureza humana» [...] É este carácter elementar e primitivo que faz da África o mundo por excelência de tudo o que é incompleto, mutilado, inacabado, sendo a sua história reduzida a uma série de contratempos da natureza na sua busca de Humanidade. A outro nível, o discurso sobre a África é quase sempre elaborado no contexto (ou nas margens) de um metatexto sobre o animal - mais precisamente, sobre a fera: a sua experiência, o seu mundo, o seu espectáculo."


Colin Richards, em Feridas das Descobertas, in O Estado do Mundo
Fundação Calouste Gulbenkian/Tinta da China
2007, pp. 48


Imagem: Tapeçaria da artista cabo-verdiana Joana Pinto, Mindelo/Cabo Verde, Junho 2005

13.7.07

Bons exemplos

Fundação António Prates
(antiga fábrica de moagem e descasque de arroz)
Ponte de Sor

«Este espaço de acção cultural, situado no centro da cidade alentejana, foi totalmente remodelado pela autarquia local.

Do espólio da fundação fazem parte três mil obras originais (entre aguarelas, desenhos, pinturas e esculturas) e cinco mil múltiplos, em que se incluem gravuras, litografias, fotografias e serigrafias. Representados na fundação vão estar artistas plásticos portugueses e estrangeiros como, entre outros, Alberto Reguera, Álvaro Lapa, José Pedro Croft, Julião Sarmento, Júlio Pomar e Júlio Resende.

No património que detém, António Prates conta com uma colecção de manuscritos relacionados com artistas portugueses que permaneceram em Paris nos anos 60, principalmente surrealistas e do grupo KWY, tal como possui a primeira colecção de arte postal dos anos 60: "Vai ser uma doação que vou fazer", revela ao DN o coleccionador.(...)
Além de possuir este vasto espólio, António Prates continua a desenvolver contactos para angariar ofertas de trabalhos, contando, por exemplo, com a promessa do artista de pop art Peter Klasen, que doará uma instalação escultórica para a entrada do edifício.»

Ler mais
aqui.

Outros casos de descentralização de museus de arte contemporânea:
Museu de Arte Contemporânea de Elvas (Colecção António Cachola)
Ellipse Foundation (Alcoitão, Cascais)

Cá em Aveiro, continuamos à espera do Projecto Avenida de Arte Contemporânea...

7.7.07

Fruir IV

«Assim como o Sèche-Boteilles de Duchamp deixa de ser um verdadeiro escorredor de garrafas funcional (para se tornar, não um objecto artístico, mas outra coisa, uma coisa híbrida), também as latas de conserva Campbell deixam de o ser, quando utilizadas por Warhol» (José Gil)
Sèche-Boteilles de Marcel Duchamp
Andy Warhol Judy Garland
Mel Ramos Virnaburger
Robert Cottingham Dr. Gibson

Emilio Tadini Viaggo in Italia Michelangelo Pistoleto Due ragazze alla fonte

Roy Lichtenstein
John de Andrea Arden Anderson and Norma Murphy
Martial Raysse Paysage champêtre en quinze tons

«A tendência Pop assume uma dimensão internacional desde o início da década de 1960, e que continua até 1970. É possível observar ligações evidentes com os Novos Realistas franceses, especialmente Martial Raysse.» (Pop & Cª)

Colecção Berardo, CCB
30 Junho'07
Fotos (de detalhes) de MRF

Há uma semana, o reencontro com o critério (cronológico) e muitas obras já vistas no Museu de Sintra, e um pouco mais. de espaço. de ambição. de fruição. Guardar cor, formas, luz, conceitos. Esquecer a política.

Façam a visita pela manhã. Evitam filas de espera. Ganham sossego e mais ar para respirar o que os olhos vêem.

4.7.07

Fruir III



George Segal
Flesh nude behind brown door, 1978
Gesso pintado Madeira e metal pintado
244 x 152,5 x 102 cm


A. no CCB
"Não tocar" é uma frase odiosa.
Fotos MRF

3.7.07

Fruir II





Pablo Picasso

Femme dans un fauteil (Métamorphose), 1929
Óleo sobre tela 91.5 x 72.5 cm
Cedido por Musée National Picasso, Paris

Femme dans un fauteil rouge, 1929
Óleo sobre tela 64.5 x 54 cm
Colecção Berardo




Métamorphose: um ponto de exclamação com um sinal de divisão em cima. ou um peixe que se põe de pé, como no circo os cães e os ursos. ele está sobre a cauda, ao espelho.
Femme dans un fauteil rouge: um escudeiro. um foguetão. um monstro. o Picasso devia ter uma mulher feia e má. ou ele lembrou-se de alguém horrível que passou na rua. que há pessoas horríveis. mas geralmente são homens.

(Acho que PP não levaria a mal as considerações da S.. Leio no dépliant: «A agressividade das cores, a tensão pictorial, transformaram-se com Picasso numa violência expressiva, reveladores de sentimentos ambíguos do artista face às mulheres. O período 1927-1929 é dominado por essa imagem perturbadora, enigmática, da mulher que aparece muitas vezes como um monstro ameaçador. Estas visões serão possivelmente alusão aos conflitos conjugais entre Pablo Picasso e Olga Kokhlova, bailarina dos Ballets Russes com quem casou em 1918.»)



30 Junho '07
S. no CCB
Fotos de S. e de MRF

Fruir I









S. no CCB (Lisboa)
30 Junho '07
Fotos MRF

26.6.07

Suggia


A Associação Guilhermina Suggia e a Câmara Municipal do Porto têm a honra de o convidar a assistir à colocação de uma placa evocativa na casa onde viveu e morreu a Grande Violoncelista – Rua da Alegria, n.º 665, Porto. A placa, da autoria da Escultora Irene Vilar, será descerrada no próximo dia 27 de Junho, às 18.30 horas.

GUILHERMINA SUGGIA viveu
nesta casa de 27 de Agosto de 1927 a 30 de JULHO de 1950. Amanhã, 27 de Junho, comemora-se também o dia do 122º aniversário do seu nascimento.

Se ainda não sabem quem foi esta ilustre portuguesa, consultem
o site da Associação que se dedica ao estudo e à divulgação e dignificação do espólio, da arte e da memória da violoncelista, ou a biografia da artista na página do Instituto Camões, escrita por Fátima Pombo, autora da obra "GUILHERMINA SUGGIA ou o Violoncelo Luxuriante".